Você exerce simpatia ou empatia no seu cotidiano?

Impacto Social
Simpatia ou Empatia?

Porquê nem toda organização social produz impacto social…

Por Virgínia Luz

Quando trabalhei na Secretaria de Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, tive a oportunidade de conhecer pessoas de diversos países que também trabalhavam com população em situação de rua. Tive contato com histórias de sucesso e fracasso, todas com grandes aprendizados. Certamente, a que mais me impactou foi relatada por uma grega.

Havia uma mulher que dormia numa caixa de papelão, ao lado do prédio desta grega. Todo dia, ela deixava um prato de comida para a mulher em situação de rua. Porém, no dia seguinte, lá estava a comida intacta. Dia após dia, incansável, a grega deixava mais um prato de comida, na esperança de que a mulher se alimentasse.

Um belo dia, intrigada com a falta de apetite da mulher, a grega resolveu perguntar qual o motivo dela não comer, indagando se ela não estava passando fome. Para a surpresa dela, a mulher respondeu que sim, ela passava fome. Porém, não conseguia comer porque não tinha nenhum dente.

Somente depois do choque em perceber que ela estava contribuindo para aumentar a fome de uma pessoa, ao invés de saná-la, que a grega resolveu perguntar o que a mulher gostaria de comer. A partir deste dia, ela passou a levar sopas e comidas pastosas para a mulher. 🙂

Este caso me lembra o que ocorreu aqui em São Paulo no inverno de 2016, quando muitas pessoas se mobilizaram para distribuir cobertores depois de algumas pessoas em situação de rua terem morrido de frio. De repente, estava todo mundo doando cobertores e logo depois estava todo mundo revoltado porque os cobertores estavam sendo abandonados pelas ruas.

Quando comecei a ler posts irados, a primeira coisa que me veio à cabeça foi justamente essa história da moça grega. Será que todas as pessoas que estavam recebendo cobertores necessitavam de cobertores? E será que as pessoas que necessitavam de cobertores receberam algum cobertor? E outra, se você precisa carregar todos os seus pertences junto de você, pois não tem onde guardá-los, e você vai receber um novo cobertor no início da noite, você iria carregá-lo durante o dia?

E por que eu tô contando essas histórias agora?

Porque, cada vez mais, eu tenho percebido que as pessoas oferecem ajuda a partir do ponto de vista delas sobre quais são as necessidades do outro. O que um pessoa enxerga de fora da situação não necessariamente é a necessidade primordial do outro. E dificilmente alguém pergunta qual é sua dor antes de oferecer ajuda. E daí fica parecendo que o “necessitado” é ingrato, quando na verdade o que faltou não foi gratidão, foi empatia.

Antes de oferecer ajudar à alguém é fundamental a gente se colocar no lugar daquela pessoa, questioná-la sobre suas reais necessidades.

E nesses 15 anos de experiência no Terceiro Setor, eu percebo que algumas organizações também criam seus projetos sem questionar os “beneficiários”. Realizam um trabalho na comunidade a partir do desejo dos fundadores da organização, que em alguns casos sequer são daquela comunidade.

Então, se você que está lendo este texto quer promover um trabalho social, trabalho voluntário ou até mesmo fundar um negócio social, a primeira coisa que eu te aconselho a fazer é exercitar a empatia. Será que o que você quer oferecer para as pessoas é exatamente o que elas precisam? Você vai estar de fato resolvendo um problema social? Um problema social de qual ponto de vista?

Tem um vídeo muito legal no Youtube que aborda a diferença entre empatia e simpatia. Recomendo!

Minha experiência de trabalho com meu filho no Campus São Paulo — A Google Space

Empreendedorismo materno

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dica de local de trabalho para o empreendedorismo materno

Por Virgínia Luz

Sair com bebê para ambientes tidos como exclusivamente adultos sempre me gerou ansiedade. Por mais que haja avanços, sabemos que a sociedade patriarcal tende sempre a colocar a mãe e o bebê no que se considera seu devido lugar: o lar.

E se locais como restaurantes, bares, aviões já provocam olhares julgadores, imaginem um ambiente de trabalho! Não é à toa que a foto da deputada Manuela D’Ávila amamentando na Câmara dos Deputados e seu texto sobre quando mulheres e crianças ocupam espaços de poder, viralizaram nas redes sociais. Não é comum as crianças frequentarem o ambiente de trabalho de suas mães, muito menos serem amamentadas.

Eu, como muitas mães, perdi meu emprego com a chegada do meu filho e, por diversas razões, decidi empreender. Foram meses de gestação de um negócio que, aos poucos, vai ganhando o mundo, ao mesmo tempo em que meu filho vai se reconhecendo enquanto um ser separado de mim e também busca seu lugar.

Eis que nesta empreitada surgiu a oportunidade de utilizar o espaço de coworking do Google, o Campus São Paulo. Um lugar descolado, com internet de qualidade e grande possibilidade de fazer um bom networking. Antes da abertura oficial, eu já havia ouvido falar no espaço, no apoio ao empreendedorismo feminino e na sala de amamentação num dos andares ❤. Ainda assim, quando chegou minha vez de trabalhar no Campus, rolaram as dúvidas: será que eu posso mesmo levar meu filho? Será que ele vai ser bem recebido? Será que seremos acolhidos? Será que receberemos olhares de censura e repúdio? Será? Será?

Recorri a uma rede de mães empreendedoras para saber de experiências, porém, ninguém relatou ter levado seu bebê. Fui incentivada a levar meu filho. Insegurança. Não levei. E não vi nenhuma criança.

Uma semana depois, outra reunião agendada. Ok, desta vez eu levo. Levei e a experiência foi ótima! Então, divido aqui meus aprendizados e olhares:

  • A estrutura para os bebês é bem legal

A sala de amamentação não fica nos andares abertos ao público e rola um bode porque tem que descer na recepção para pegar o crachá de acesso à sala e depois devolvê-lo. Toda vez que for utilizar a sala. Não usei a sala para amamentar, fiz isso onde eu estava mesmo. Porém, recorri a ela para trocar meu filho, pois (#ficadica para o Google) não há trocadores nos banheiros dos andares liberados.

A surpresa positiva foi que além da sala ser linda e aconchegante, a infra de amamentação é bem completa, há um filtro de água e uma geladeira para armazenar leite. E também tem um aparelho para descongelar o leite e esquentar papinha.

  • Há empatia no Campus São Paulo

Fui bem recebida e bem tratada do início ao fim, tanto pelas pessoas que trabalham no espaço, quanto pelos usuários. Condutas básicas de educação que são óbvias, mas não acontecem cotidianamente. Quem utilizou transporte público com 9 meses de gestação e sempre foi obrigada a solicitar seu assento de direito sabe do que eu estou falando. Me ajudaram com as portas, segurando o elevador, levando meu pedido do café até a mesa etc. Não rolaram olhares julgadores, nem durante o período em que amamentei meu filho.

  • Um bebê pode elevar sua potência de networking 😉

Pois é, conversei com um número MUITO maior de pessoas quando fui com meu filho do que sem ele. Claro, o assunto disparador sempre era ele e o sorriso simpático que ele costuma distribuir por aí. Mas, conversa vai, conversa vem e lá estamos falando sobre os empreendimentos, trocando cartões…

  • A sociedade precisa aceitar que as crianças fazem parte dela

Eu descobri que tenho um papel muito importante nisso, não é deixando meu filho em casa com receio de olhares e comentários maldosos que irei contribuir. Portanto, atualmente, sempre que as necessidades dele puderem ser respeitadas, eu estarei lá e ele também. Mulheres e crianças precisam ocupar espaços de poder. Mulheres e crianças precisam ocupar todos os espaços!

Se você é mãe e deseja equilibrar trabalho e maternidade com o empreendedorismo materno, conheça o Impulso Materno!